sexta-feira, 31 de março de 2017

Papo merda de boteco

Sabe aquelas opiniões rasas, cheias de preconceitos, lugares comuns, soluções geniais para política e seleção de futebol do país? Aquele típico papo merda de boteco? Era bom o tempo em que ele ficava lá no boteco. Hoje em dia esse papo merda invade nossas casas a todo momento nas tantas opiniões escritas em ferramentas de comunicação como Twitter, Facebook e Whatsapp. Está cada vez mais difícil ser gentil com tanto papo merda chegando a mim sem eu pedir.


sexta-feira, 17 de março de 2017

Uma obscenidade

O meme das piadas da semana foi a sala de Ana Hickmann, um ambiente gigante que sozinho tem duas vezes o tamanho de um apartamento que meus amigos, com muito sacrifício, conseguem comprar divididos em trinta anos pelo programa "pelo minha casa minha vida". O riso geral é de escândalo e não era para menos, afinal, diante de tanta injustiça social neste país, uma imagem dessa soa como uma obscenidade, uma indecência. No meu cotidiano, eu olho pela janela do ônibus e vejo os rostos sofridos das pessoas nas ruas, movidos por uma esperança sem razão, alimentada pela única convicção de que não há outra coisa em que se apegar para continuar vivendo, ainda mais numa época de desmonte de direitos previdenciários, trabalhistas, da desintegração de uma porção de direitos fundamentais, do mínimo de direitos tão precariamente garantidos a pessoas tão injustiçadas pelo esquema que forja nosso "sistema de cidade", não tem como uma imagem dessas não soar como uma completa imoralidade que debocha dos outros. Sinceramente!


quinta-feira, 16 de março de 2017

Uma crônica de "Rico vs Pobre"

Minha avó era empregada doméstica. A patroa dela usava com frequência a seguinte frase com fins pedagógicos com o próprio filho: "se você não comer tudo eu vou chamar o menino da favela pra te pegar". Sim, "O MENINO DA FAVELA", era usado como uma espécie de "bicho papão" na educação do filho daquela senhora abastada que nunca pagou nenhum direito trabalhista à minha avó, esta, que trabalhou quase 50 anos e morreu diabética, cega, sem nunca conseguir se aposentar porque nunca "trabalhou oficialmente".

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Coleção completa "Pernambuco Imortal" [1995]


A coleção PERNAMBUCO IMORTAL foi publicada em fascículos semanais, que somam o total de 13, pelo Jornal do Commercio, com apoio do Governo de Pernambuco no ano de 1995. Trate-se de um resgate à história não só de Pernambuco, mas do nascimento do Brasil (desde a colonização até o final do século XX).

01 - Nativos e colonizados
O “paraíso” tropical e selvagem
Os primeiros visitantes e colonos
A luta entre portugueses e franceses
A divisão do Brasil em capitanias
Duarte Coelho e a colonização
Os sucessores e Duarte Coelho
A fidalguia local e a inquisição

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02 - A forte presença holandesa
As crises européias e o Brasil
A invasão da Bahia pela Holanda
A invasão de Pernambuco em 1930
Nassau e domínio holandês
A Insurreição Pernambucana
A mão de obra: índios e negros
As características da escravidão

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03 - Lutas, revoltas, injustiças
A resistência negra era forte
O Quilombo dos Palmares
A revolta dos índios no sertão
A restauração pernambucana
As guerras contra os negros e índios
Qualidade de vida
A deposição do cruel Xumbergas

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04 - O doce sonho da república
A Guerra dos Mascates
O declínio do estatuto colonial
As mutilações do território
O século XIX e as idéias liberais
A conspiração dos Suassuna
A vinda da corte para o Brasil
Caetano Pinto e a Insurreição
A organização do governo do Estado

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05 - Entre mártires e rebeldes
Sérios impactos à população
A reação real e a repressão
Luís do Rêgo e a recolonização
Corre perigo a unidade nacional
Surge a Convenção de Beberibe
A economia vive época de crise
Pernambuco e a Constituinte
A Confederação do Equador
O grande legado de Frei Caneca
A política do Primeiro Reinado

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06 - Períodos de guerras
Pedro I decide pela abdicação
Um motim chamado Setembrizada
Oficiais inferiores se rebelam
A reação absolutista e a Abrilada
A Guerra dos Cabanos em 1832
Rebeldia em Lagoa dos Gatos
D. Pedro diz “não a Portugal”
O açúcar dominava a economia
A idéia confederada toma vulto

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07 - Os liberais no poder
A influência de L.L. Vauthier
O poder dos senhores a terra
O papel do Partido Praieiro
Abolido o tráfico escravocrata
Fracassa a Colonização Alemã
Dantas, um herói no Paraguai

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08 - O sistema imperial amadurece
O açúcar comandava a economia
A revolta do Quebra Quilos
O processo de industrialização
Crescem as atividades culturais
Esquenta a campanha da abolição
Um espírito de luta e rebeldia

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09 - O império sofre e agoniza
Deodoro proclama a República
Lutas internas abalam a nação
Floriano chega com mão de ferro
Cresce a economia pernambucana
Uma forte oposição aos rosistas
O gosto amargo do dantismo

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10 - Os caminhos da modernidade
Dantas lutava pela reeleição
A modernidade de Manoel Borba
Um autoritário que disfarçava
A política de muitos coronéis
Coimbra e a revolução de 1930
A difícil situação dos anos 20

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11 - Uma revolução se aproxima
Nasce uma consciência sindical
A revolta dos jovens tenentes
Injustiças fomentam o cangaço
Mudança profunda nos costumes
Recife era limpa e acolhedora
Revolução ou simples rebelião?
A reconstitucionalização do país

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12 - Agamenon e o Estado Novo
O confronto esquerda X direita
Getúlio toma o poder pela força
Agamenon Magalhães e o Estado Novo
Pernambuco e a 2ª Guerra Mundial
Nascem novos partidos políticos
O domínio Pessedista

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13 - A história atual
A frente do Recife e eleição de Cid
Sudene: Uma nova visão
Ascensão de Arraes, “O povo no poder”
Arraes e os senhores do campo
Os dias de março e abril
O período autoritário e seus governantes
As questões do setor agrícola
A questão urbana
Os problemas de ordem culturais 

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PS.: Este material está disponível com finalidade única de uso particular ou educativo sem qualquer fim lucrativo, qualquer uso comercial deste material configura desvio desta finalidade.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

A objetificação da mulher entre os anos 90 e começo dos anos 2000

Eu cresci num tempo em que "ser feminista" era um "defeito". Cresci ouvindo "tu é toda feminista" com ares de acusação de um desvio moral. Cresci num tempo em que Gabriel Pensador xingava mulher de vagabunda em suas músicas, as colocava em listas como comida em cardápio e as culpava pela rede corporativista machista à qual elas estavam sendo submetidas, como carne à venda para gerar lucro a mega empresários. Era um tempo que as demandas do feminismo estavam nos livros que uns têm preguiça de ler e outros não têm dinheiro para comprar, estavam nos ambientes acadêmicos privilegiados, estavam restritas a poucos. O que restava era o preconceito disseminado nas mídias de massa e a noção falsa de que a mulher com a bunda e os peitos à mostra em banheiras do Gugu, ralando a piriquita em garrafas no Faustão era vagabunda e burra, ao invés de explorada por uma rede machista corporativista ainda maior, de que era "tudo puta" mesmo, e que tinha todas as possibilidades de escolher livremente outra coisa que não "exibir o rabo no domingo à tarde em rede nacional". Foi isso os anos 90, começo dos anos 2000, últimos anos do século XX, tempo de ignorância que não precisa se perpetuar pelo século XXI.


sábado, 28 de janeiro de 2017

AQUI EMBAIXO

Sou muito reticente quanto às leituras da condição da periferia feita a partir dos altos das varandas da classe média e do conforto das salas das universidades mais concorridas e seletivas do país. Não deveria não ser. Percebo que o famigerado termo "esquerda caviar" até faz algum sentido sob certo ponto que observo em certas "posturas de pessoas que se dizem de esquerda", que se dizem "estar a favor do povo injustiçado e oprimido". Uma esquerda que berra "Fora Temer" de seus jardins privilegiados, que questionam as injustiças sociais, mas só até o ponto que não mexe nas heranças que suas famílias tradicionais deixarão para elas. A juventude florida da "esquerda" que vem dos bairros nobres da cidade, de pseudo artistas de toda categoria que são sustentados por algum pai, mãe, avó... Uma esquerda hipócrita!

Outro dia me perguntaram porque eu não gosto de ambiente de alternativo de rico [hispster do mais canalha, para falar sem rodeios]. Essa gente gourmetizou e superfaturou os, antes, ambientes alternativos. Agora, a cerveja custa os olhos da cara, a comida nem se fala, a antiga carrocinha de cachorro quente foi substituída por foodtrucks fofos que cobram valores injustamente caros pela comida... Invetou-se um "valor metafísico" pelo qual se cobra um alto preço físico capaz de excluir do ambiente "alternativo" aqueles que não podem pagar tão caro. Alternativa para quem? Eu Pergunto...

Pouca coisa me entedia tanto ultimante quanto esse ambiente de "alternativo de filho de rico". Eu queria que existisse emoji capaz de expressar minha cara ao ver os trejeitos ensaiados para se exibir, pseudo simpáticos, os egos inflados nos lugarzinhos cult que essa galera frequenta, que quando eu invento de aparecer por lá só fico mais certa de que eu não pareço com nenhum deles, de que eu sei que eu não sou [ainda bem] igual a nenhum deles, nem sob o aspecto de fato nem sob a aparência, que não tenho sobrenome intimidador, nem endereço pomposo, que não "conheço fulaninho poderoso", que não tenho "costas quentes", nem possível suborno, de que eu não sou essa galerinha "consciente dos seus privilégios", essa mesma galerinha que me totaliza como um deles talvez pela cara, na vida, no dia-dia há um abismo imenso de circunstâncias, de condições fáticas que nos diferenciam e que da teoria do livro de sociologia não dá para ver.


Texto e fotografia: Jacilene Silva.