sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Publicidade sexista da Cerveja Proibida

Vira e mexe e agente se depara com publicidade "cagada". A gente reclama, explica com a maior paciência do mundo o quanto é importante desconstruir o sexismo e vem a publicidade e não só ratifica a atitude de discriminação fundamentada no sexo como a incentiva ativamente. Esses cursos superiores de publicidade ensinam muito bem a manusear softwares, já com relação ao desenvolvimento de um bom senso crítico, deixam demais a desejar. Este tipo de produto é fruto desse tipo de formação muito mecânica e pouco humana. Acho que está faltando muito colocar umas aulinhas de filosofia nesses cursos de publicidade, né? Já ajuda a evitar umas propagandas péssimas como esta da proibida.


Descrição do produto: A família Proibida Puro Malte cresceu! Uma cerveja para cada gosto e paladar, tem a Proibida Puro Malte que vocês já conhecem, e agora vocês vão conhecer também, a Proibida Puro Malte Forte que vem com um sabor intenso e marcante, já a Proibida Puro Malte Leve traz leveza e refrescância e a Proibida Puro Malte Rosa Vermelha Mulher uma cerveja delicada e perfumada, feita especialmente para você mulher. Cada cerveja tem sua marca, característica, sabor e todas são gostosas demais.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

CRÔNICAS DE UM PAÍS ESQUIZOFRÊNICO


Meados da tarde do primeiro dia útil do ano, meu namorado e eu fomos tomar um sorvete e dar uma volta na orla de Olinda, olhar um pouco o mar no pôr do sol. Eu não tive como fotografar a cena que quero descrever, pensei em desenhar, mas não seria suficiente para externar de maneira minimamente satisfatória o que sentimos ao observar um rapaz negro, de calça esportiva e tênis de boa qualidade, sem camisa, andando de busto estufado para ostentar uma tatuagem do lado esquerdo do peito: uma grande e visível suástica.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Feminismo que não passa pela questão de classe social é incompleto

Um amigo meu que é motoboy, faz entregas de lanches numa grande rede de fast-food me perguntou o seguinte: "Mas o que o feminismo tem a dizer sobre os assédios constantes que alguém como eu sofre por parte de mulheres ricas quando estou trabalhando com entregas?". Lembrei de um conhecido que trabalhava como auxiliar de serviços gerais num grande hospital particular da cidade e trazia histórias bizarras de assédio que sofria no trabalho, sempre por parte de mulheres ricas e "bem resolvidas".

Isso me botou para pensar. Parece claro que o assédio se dá na situação em que alguém que se sente com poder em relação a outrem, se aproveita deste outrem que considera em posição de vulnerabilidade. Numa sociedade massivamente machista é muito mais comum que o homem se sinta nessa posição de poder em relação a mulher, que ele vê como vulnerável em relação a ele. No entanto, numa sociedade também classista, não é uma situação muito incomum a de uma mulher rica, se sentir e saber que é ela quem está em situação de poder diante de um homem empregado, que lhe presta serviços, pobre, portanto vulnerável. 

Outro dia uma amiga querida, em conversa, me contou situações de assédio em que o namorado dela, que foi garçom num bar cult caro, frequentado pela elite local e foi constantemente assediado por mulheres ricas frequentadoras do local, inclusive famosas e prestigiadas no meio intelectual por seus muito bem articulados discursos feministas.

Aí eu pergunto: o que seu feminismo quer? 

Se a resposta é "acabar com uma situação de opressão baseada em gênero", mas sua crítica à "opressão" não passa pelo crivo da exploração de classe, então, vou dizer sem rodeios: você não está falando em acabar com opressão, você está falando somente que quer ocupar o mesmo lugar que o machismo reservou para o homem rico, branco e opressor, apenas isso. 

Afinal, sua liberdade sexual, de paquerar, flertar, transar, é e sempre será a bandeira do mesmo feminismo que o meu, mas não será minha bandeira uma suposta "liberdade" de reduzir todo trabalhador, pobre, sobretudo negro, ao seu mero objeto de fetiche, ao "pedaço de carne" que serve unicamente para você exercer toda sua "liberdade sexual".

Fotografia: Jacilene Silva.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Louvor à imbecilidade

Argumentar com base em idéias articuladas com pensadores clássicos, estudos científicos sérios, desperta ódio. E, embora estejamos claramente num momento em que percebemos a exploração classista desse ódio, eu posso garantir que esse ódio não é novidade. Experiência própria. Desde adolescente eu sou conscientemente odiada por parte de todos os meios que eu já frequentei, simplesmente porque nunca me limitei ao preconceito, à superficialidade, às conclusões apressadas. Precisava nem de título acadêmico para garantir esse tipo de antipatia da geral, bastava não aceitar os preconceitos, a imbecilidade confortável. Quase em toda parte que eu já frequentei vai ter pelo menos um que vai me taxar de pedante, fora os que acham e não admitem. Eu demorei para perceber de onde vinha isso, e que não vinha de mim. A massa se sente confortável com os idiotas, os preconceituosos, os "bolsonaros" e "trumps" da vida. Os "freixos" essa gente acha, e sempre achou, inteligentes demais, intelectuais demais, arrogantes, e isso gera ódio. 

Este artigo é muito bom, vale a pena a leitura: revistacult.uol.com.br/home/2016/10/50931/

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Mulheres, Raça e Classe - Angela Davis

Sinopse: Mais importante obra de Angela Davis, "Mulheres, raça e classe" traça um poderoso panorama histórico e crítico das imbricações entre a luta anticapitalista, a luta feminista, a luta antirracista e a luta antiescravagista, passando pelos dilemas contemporâneos da mulher. O livro é considerado um clássico sobre a interseccionalidade de gênero, raça e classe.
A perspectiva adotada por Davis realça o mérito do livro: desloca olhares viciados sobre o tema em tela e atribui centralidade ao papel das mulheres negras na luta contra as explorações que se perpetuam no presente, reelaborando-se. O reexame operado pela escrita dessa ativista mundialmente conhecida é indispensável para a compreensão da realidade do nosso país, pois reforça a práxis do feminismo negro brasileiro, segundo o qual a inobservância do lugar das mulheres negras nas ideias e projetos que pensaram e pensam o Brasil vem adiando diagnósticos mais precisos sobre desigualdade, discriminação, pobreza, entre outras variáveis. Grande parte da nossa tradição teórica e política (Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda, para ficarmos em poucos exemplos) insiste em confinar as questões aqui tratadas por Davis na esfera privada, como se apenas desta proviesse sua solução.



domingo, 6 de novembro de 2016

Não é engraçado.

Eu não acho graça nas desgraças dos "atrasados do ENEM". Não acho mesmo engraçado que pessoas que não têm papai e mamãe com carro para deixar cedo no local de prova, pessoas que dependem de ônibus num país de transporte público muito precário, por uma razão ou outra tenham se atrasado e perderam a prova que seria a esperança de abrir as portas para o sonho de entrar numa universidade pública, durante um ano inteiro.
"Ahhh Jacilene, mas a pessoa poderia ter saído mais cedo"...
Também não acho divertido pensar nas razões pelas quais talvez a pessoa não tenha conseguido sair mais cedo, ou até tenha saído bem sedo, mas um acidente de trânsito, um ônibus quebrado, um assalto no meio do caminho, entre tantas outras tragédias possíveis, tenham culminado na infelicidade dos portões fechados. Enfim, não acho graça, não acho 'justiça' em ver gente sofrendo e chorando porque perdeu essa prova.