terça-feira, 15 de novembro de 2016

Louvor à imbecilidade

Argumentar com base em idéias articuladas com pensadores clássicos, estudos científicos sérios, desperta ódio. E, embora estejamos claramente num momento em que percebemos a exploração classista desse ódio, eu posso garantir que esse ódio não é novidade. Experiência própria. Desde adolescente eu sou conscientemente odiada por parte de todos os meios que eu já frequentei, simplesmente porque nunca me limitei ao preconceito, à superficialidade, às conclusões apressadas. Precisava nem de título acadêmico para garantir esse tipo de antipatia da geral, bastava não aceitar os preconceitos, a imbecilidade confortável. Quase em toda parte que eu já frequentei vai ter pelo menos um que vai me taxar de pedante, fora os que acham e não admitem. Eu demorei para perceber de onde vinha isso, e que não vinha de mim. A massa se sente confortável com os idiotas, os preconceituosos, os "bolsonaros" e "trumps" da vida. Os "freixos" essa gente acha, e sempre achou, inteligentes demais, intelectuais demais, arrogantes, e isso gera ódio. 

Este artigo é muito bom, vale a pena a leitura: revistacult.uol.com.br/home/2016/10/50931/

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Mulheres, Raça e Classe - Angela Davis

Sinopse: Mais importante obra de Angela Davis, "Mulheres, raça e classe" traça um poderoso panorama histórico e crítico das imbricações entre a luta anticapitalista, a luta feminista, a luta antirracista e a luta antiescravagista, passando pelos dilemas contemporâneos da mulher. O livro é considerado um clássico sobre a interseccionalidade de gênero, raça e classe.
A perspectiva adotada por Davis realça o mérito do livro: desloca olhares viciados sobre o tema em tela e atribui centralidade ao papel das mulheres negras na luta contra as explorações que se perpetuam no presente, reelaborando-se. O reexame operado pela escrita dessa ativista mundialmente conhecida é indispensável para a compreensão da realidade do nosso país, pois reforça a práxis do feminismo negro brasileiro, segundo o qual a inobservância do lugar das mulheres negras nas ideias e projetos que pensaram e pensam o Brasil vem adiando diagnósticos mais precisos sobre desigualdade, discriminação, pobreza, entre outras variáveis. Grande parte da nossa tradição teórica e política (Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda, para ficarmos em poucos exemplos) insiste em confinar as questões aqui tratadas por Davis na esfera privada, como se apenas desta proviesse sua solução.



domingo, 6 de novembro de 2016

Não é engraçado.

Eu não acho graça nas desgraças dos "atrasados do ENEM". Não acho mesmo engraçado que pessoas que não têm papai e mamãe com carro para deixar cedo no local de prova, pessoas que dependem de ônibus num país de transporte público muito precário, por uma razão ou outra tenham se atrasado e perderam a prova que seria a esperança de abrir as portas para o sonho de entrar numa universidade pública, durante um ano inteiro.
"Ahhh Jacilene, mas a pessoa poderia ter saído mais cedo"...
Também não acho divertido pensar nas razões pelas quais talvez a pessoa não tenha conseguido sair mais cedo, ou até tenha saído bem sedo, mas um acidente de trânsito, um ônibus quebrado, um assalto no meio do caminho, entre tantas outras tragédias possíveis, tenham culminado na infelicidade dos portões fechados. Enfim, não acho graça, não acho 'justiça' em ver gente sofrendo e chorando porque perdeu essa prova.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Guinada?

O Brasil não "guinou à direita", simplesmente a esquerda que teve seus votos roubados por golpistas está desacreditada de votar (as abstenções, nulos e brancos em números impressionantes que o digam). Os efeitos nocivos disso são golpistas fortalecidos no plano de destruir as políticas públicas de promoção de justiça social e a mídia golpista espalhando todo tipo de falácia em prol deste plano sujo a partir dos resultados dos "vencedores das eleições". Quem perde mesmo são aqueles mais vulneráveis socialmente, uma injustiça imensa. São tempos assustadores de ovação dos idiotas, dos odiadores, dos cínicos e mentirosos.

domingo, 16 de outubro de 2016

Fones de ouvido, é preciso!

É muito difícil viver nesse país de fanáticos. As pessoas são incapazes de deixar sua religião restrita ao âmbito particular, tem que infernizar os outros no ambiente público. Eu simplesmente não suporto mais pessoas que sobem nos ônibus para fazer daquele lugar igreja. Fazem barulho, gritam a viagem INTEIRA, às vezes mais de 1h. Outro dia um homem se achou na razão de fazer isso e em seu discurso atacava gays, feministas, religiões diferentes da dele, eu mudei claramente minha expressão para um tom bem irritado, e uma mulher do meu lado percebeu minha irritação e deu razão ao homem. Eu educadamente me levantei e mudei de cadeira. Liguei Iron Maiden no volume mais alto com meu fone de ouvido para ignorar aquela "vomitação" de ódio horrível. Preciso, inclusive, de fones mais potentes.

sábado, 15 de outubro de 2016

Força!

Nesses tempos em que um governo canalha promove o desmonte da educação que já era precária no Brasil, que professores são agredidos, desvalorizados é muito difícil dizer "feliz dia do professor". Não é nobre, não é admirável, não é algo que deva se conservar o tratamento humilhante e totalmente desestimulador que se dá aos profissionais da educação. Nem a formação acadêmica do professor é respeitada por essa situação forjada por golpistas. São tempos muito difíceis, não sinto honestidade em dizer "parabéns", o mérito de resistir a essas penas não é algo que se comemore. Por isso ao invés de "parabéns", nesse dia dos professores, quero desejar "força", porque "tá foda", "tá escroto" tudo isso aí que está acontecendo.